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Ruas & Segurança

Operação noturna da PM muda rotina de ambulantes na Lapa

Nova escala de policiamento, em vigor desde junho, reorganizou o comércio de rua no coração boêmio do Rio. Ambulantes falam em "regras que mudam a cada semana"; bares e restaurantes aprovam. No meio, a noite mais famosa da cidade tenta achar o próprio equilíbrio.

Por Caio Drummond Publicado em 18 de julho de 2026
Rua iluminada do Rio de Janeiro ao anoitecer

A noite na Lapa tem uma coreografia própria: os arcos iluminados, a multidão que desce da Carioca depois do trabalho, o cheiro de milho assado, o isopor que range abrindo mais uma cerveja. Desde junho, essa coreografia ganhou um novo personagem fixo — o policiamento reforçado que se posiciona nos dois extremos da Avenida Mem de Sá antes mesmo de o sol terminar de se pôr.

A operação, batizada internamente de "escala noturna integrada", combina PM, Guarda Municipal e fiscalização da prefeitura. O objetivo declarado: ordenar o comércio ambulante, reduzir furtos e desafogar as calçadas nos horários de pico. Na prática, redesenhou o mapa informal da noite — quem vende o quê, onde e até que horas.

"Cada semana uma regra"

Para os ambulantes, o problema não é a presença da fiscalização, mas a instabilidade. Nas três visitas da reportagem, os vendedores apontaram limites diferentes para as mesmas esquinas. Numa semana, a barraca de espetinhos podia ficar até a meia-noite; na seguinte, até as 22h; na terceira, mudou de calçada.

"A gente não pede moleza, pede regra que dure. Se falar 'é aqui, até tal hora', eu cumpro. O que mata é a regra mudar no meio do jogo."

O desabafo é de uma vendedora de bebidas que trabalha na região há nove anos e pediu para não ser identificada. Segundo ela, o rendimento caiu cerca de um terço desde junho — não pela proibição, mas pelo tempo perdido remontando o ponto a cada mudança.

O outro lado do balcão

Entre os comerciantes fixos, a avaliação é majoritariamente positiva. Donos de bares relatam calçadas mais transitáveis e queda nos registros de furto de celular — a queixa número um dos frequentadores. Um gerente de casa de shows resume: "Cliente que se sente seguro fica mais uma hora. Uma hora a mais na Lapa é muito dinheiro."

A prefeitura, em nota, informou que a operação "segue em fase de calibragem" e que um mapa definitivo de pontos autorizados para ambulantes está em elaboração com as associações da região, com publicação prevista para agosto. A PM não detalhou o efetivo, mas confirmou que a escala noturna "veio para ficar".

A noite se ajusta

Enquanto o mapa definitivo não sai, a Lapa faz o que sempre fez: se adapta. Ambulantes trocam informações por grupo de mensagens sobre onde a fiscalização está; frequentadores aprenderam que o espetinho agora fica uma esquina adiante; e a noite, essa instituição carioca, segue aberta — apenas ensaiando uma coreografia nova.